Sobre mim

Sobre mim

Comecei meio que por “acaso” na área de TI, aos 17 anos, durante um longo período de greve da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1991, onde procurei o que fazer com o moderno XT com monitor de fósforo verde que
meu pai tinha ganhado de presente de um paciente.

Neste período acabei indo parar na INBASA, na área de processamento de dados, como uma espécie de estágio não-remunerado onde pretendia ver em que poderia aproveitar aquela “caixa” para algo de útil.

Foi então que me deparei com as linguagens de programação, na época Clipper Summer 87. Estudei por conta própria os três livros do Rick Spencer, criador da linguagem, e em pouco mais de três meses já desenvolvia aplicativos para uso próprio bem interessantes, inclusive com interface para o mouse (o que na época, ainda engatinhando o Windows 3.11, era um desafio, acredite).

Resolvi complementar (mas na verdade acabou sendo pouco complemento) os meus conhecimentos com a formação em desenvolvimento de sistemas pela FESP, programa Microsoft Certified Partner, graduação em administração de empresas com ênfase em comércio internacional e atualização constante em soluções de banco de dados e aplicações desktop, web e mobile. Mais recentemente, em termos tecnológicos, estou envolvido no Apple Developer Program, e iniciei no desenvolvimento para Apps iOS e Mac OSX.

Você deve estar se perguntando, mas afinal o que tem a ver um cara de tecnologia da informação com a área médica?

Bem, minha família praticamente toda é de médicos – mas, sinceramente, nunca me interessei por medicina. Talvez pela especialidade dos meus pais (oncologistas) nunca via real “beleza” na medicina – pra mim era sempre algo paliativo, sem “resultado”, por mais nobre que fosse aliviar o sofrimento humano.

Em 2004 surgiu a oportunidade de começar a desenvolver uma aplicação para área médica para um cliente para quem dava consultoria, o Dr Olympio Faissol, que estava montando um spa. A partir daí começou então minha trajetória na área médica, trabalhando no desenvolvimento do MEDX, minha solução de tecnologia para gestão de atendimento médico.

No entanto, nada é tão fácil quanto parece. Apesar do domínio da área técnica (programacão, banco de dados, etc…) sempre esbarrava na resistência do usuário (no caso, dos médicos) em usar o que havia de tecnologia para efetivamente melhorar o atendimento médico e otimizar seu tempo. Essa resistência e dificuldade me intrigavam e era um grande paradoxo: um profissional que sempre está sem tempo ter resistência em usar ferramentas que otimizam seu tempo!

Paralelo a isso, na medida em que eu cada vez mais me dedicava a apresentar meu software em congressos e cursos médicos, comecei a acompanhar eventos de medicina preventiva e me interessar gradativamente pelo assunto. Na verdade, toda a área de prevenção me parecia muito mais lógica e algorítmica ( e que efetivamente contribuiam para a saúde do indivíduo) – ou seja, enfim uma medicina de “lógica e resultados”!

Alguns anos se passaram até chegar um daqueles dias que literalmente transformam sua vida. Em um desses cursos para médicos na área de medicina preventiva (onde apresento o MEDX), conversando com o médico responsável pelo curso durante um jantar de confraternização (que já naquele momento havia se tornado um grande amigo, Dr Ítalo Rachid), compartilhava com ele um pouco das minhas frustrações com a dificuldade dos médicos em “aderir” a tecnologia no seu dia-a-dia.

Durante esse bate-papo, veio o diagnóstico: “Carlos, a única forma de você entender o médico, é sentando na cadeira dele”.

Saí desse curso com a frustração que já tinha e com uma resposta que não me adiantava em nada.

Chegando em casa desse curso compartilhei a conversa com minha esposa e para meu espanto, ela sugeriu que eu tentasse fazer uma graduação em medicina e que isso só iria contribuir para minha trajetória profissional, já que praticamente 100% do meu tempo estava dedicado ao MEDX, nosso produto na área médica. Seria uma oportunidade de vislumbrar oportunidades de melhoria e até mesmo de novos produtos e serviços na área. Relutei e argumentei que era impossível, havia mais de 17 anos que já tinha terminado o ensino médio, tinha minha empresa, minha rotina, esposa e filho – enfim todos os argumentos plausíveis para o “não” mas vocês sabem como é mulher. No final, no final, elas é que “mandam” em nós.

Assim, naquele mesmo ano, recebi a notícia dela de que havia me inscrito no vestibular de medicina para a Unigranrio. Vestibular feito e para minha surpresa, aprovado. Às vezes o universo conspira a nosso favor.

Comecei minha graduação e mantive em sigilo da minha empreitada, tanto dos meus funcionários quanto dos clientes e amigos, durante um ano. Queria conferir se seria possível compatibilizar um curso de turno integral, agenda de congressos e monitoramento da empresa. Ao final desse período, para minha grata surpresa tudo correu sem maiores problemas, quebrei o sigilo e tornei público esse novo e fascinante caminho. Agora tenho duas “interfaces” – uma tecnológica e outra médica.

O mais interessante desse processo é que comecei Medicina talvez por motivos pouco convencionais (ou no mínimo diferentes), já que não pretendia a princípio clinicar – talvez associar meu trabalho atual com pesquisa ou dando aulas. Acabei ao longo da graduação me descobrindo médico no meio do caminho, o prazer de auxiliar as pessoas e de alguma forma colaborar com mudanças em suas vidas.

Hoje, posso dizer que tenho tanto prazer em passar horas programando no computador um recurso novo do software ou um aplicativo mobile quanto ficar no consultório atendendo meus pacientes.

A medicina também possibilitou conhecer muita gente, colegas de profissão que contribuiram (e muito) com essa empreitada. E também muitas oportunidades, como palestrar em um congresso na Índia sobre mHealth (mobile health) e a extensão em obesidade em Boston (Treating Obesity 2015, na Universidade de Harvard).

Como especialidade médica acabei optando pela nutrologia que é a área que mais me aproxima do que gosto de atender (obesidade e metabolismo) e também de estudar (nutrologia esportiva).

Tenho recentemente me interessado bastante sobre Lifestyle Medicine (medicina do estilo de vida), o movimento Slow Medicine e o Choosing Wisely – tendências que visam resgatar a relação médico-paciente e focar em mudanças no estilo de vida para prevenir doenças crônicas.

Obrigado pela visita ao site e fique à vontade para tecer comentários – sempre que possível procurarei trazer informações e dicas, sempre com embasamento científico sobre emagrecimento, metabolismo, saúde, prevenção e longevidade.

Um cordial abraço,

Dr. Carlos J C Lopes